“Sabe aquela sensação quando você está lendo um livro e sabe que vai ser uma tragédia, pode sentir o frio e a escuridão que vem, ver o ciclo se fechando em torno dos personagens que vivem e respiram nas páginas? Mas você está tão ligado à história como se estivesse sendo arrastado na traseira de uma carruagem, e não pode deixar de seguir ou desviar o curso de lado. Eu sinto agora como se o mesmo estivesse acontecendo, só que não com os personagens em um livro, mas comigo própria, meus queridos amigos e companheiros. Eu não quero sentar-me enquanto a tragédia vem para nós. Quero desviá-la, me esforço para descobrir como isso pode ser feito.”
— Princesa Mecânica



Não consegui encontrar palavras para descrever o último livro da saga das Peças Infernais, mas se for encontrar alguma será estas: emoção e ação.
Mais uma vez Cassandra Clare me surpreende, e acredito este ser sido um dos melhores livros que já escreveu, junto com Cidade de Vidro, da saga original dos Instrumentos Mortais.

O livro começa já com um prólogo para mexer com o sentimentos do leitor; vemos o momento em que Will conhece Jem e como o laço de amizade, tão inocente e simpático, começa.
Logo depois somos bruscamente levados para o presente (a época atual no livro quer dizer, o presente em que vivem os personagens), seis meses depois dos acontecimentos em "Príncipe Mecânico"

Enquanto Tessa está divida entre seu amor por Jem, que tem de lutar para lidar com a doença que o consome e por Will, que recebe a visita inesperada da irmã Cecily (completamente convencida que pode trazer o irmão de volta para casa dos pais),  a situação se agrava  para os moradores do Instituto de Londres.

Encarregada do problema criado pelo Magistrado, Charlotte Branwell, a líder do Instituto, deve correr contra o tempo para impedir a invasão das criaturas mecânicas á Londres, tendo nenhum auxilio da Clave na tarefa depois de ter desobedecido as ordens do Consul. Mas esse não é o único problema; detém a missão de proteger Tessa, a garota da qual ninguém consegue explicar o que realmente é, é pelo o que parece a peça chave para Mortmain concluir o  seu funesto plano, de origem  e motivação ainda desconhecidas pelos shadowhunters.

E Mortmain deixa suas intenções cada vez mais claras com uma ameaça; ao comprar todo estoque de Yin Fen (droga que permite que Jem viva) pedindo em troca, Tessa, coloca os caçadores das sombras sob o dilema: como impedir que ele tenha o precisa para alcançar o objetivo de destruir todos os Caçadores das Sombras e ao mesmo tempo salvar Jem da morte?


Foi simplesmente incrível, em diversos aspectos.Mais uma vez Cassandra prova saber orquestrar o desenvolvimento de uma obra brilhantemente, não deixando pontas soltas e conseguindo fazer o leitor mergulhar (e afundar) nos sentimentos dos personagens.Por isso vou fazer um esforço extra para dar minha opinião sem (muitos) spoilers.

Do começo ao fim é perceptível que ela teve um cuidado especial de tratar todos os personagens igualmente; isso é, claro que há protagonistas, mas o que quero dizer é que ela não diminuiu os dilemas internos de cada personagem, colocando-os numa balança dos próprios conflitos.

Nesse livro temos uma adição muito importante ao "circulo" de personagens e este é Gabriel Lightwood. O menino "enjoadinho" e a antipatia principal de Will, nesse livro tem que encarar seus próprios demônios, e com isso quero dizer tanto os internos quanto os externos. Sua primeira aparição no livro é no momento que corre ao Instituto pedir ajuda (inesperadamente) para lutar contra "algo" (ou "alguém" na verdade) em sua casa.E não só o drama nele é um dos novos focos, mas também a complicada situação do seu irmão Gideon e a criada do Instituto, Sophie (que já tem sua importância na história desde do inicio da saga).Ambos os irmãos Lightwood representam um elemento importante no desenvolvimento da história (além de criar MUITA intriga e dúvida que te deixam atentos á leitura) e como personagens, posso dizer com certeza que amadurecem enormemente.

Outra coisa muito interessante é que ao longo do livro vemos a troca de cartas entre os Caçadores das Sombras, enxergando de uma visão bem mais plena da politica da organização. E se em Peças Infernais tínhamos  o crápula Benedict Lightwood para atrasar tudo, nesse temos o Consul Wayland. Furioso por Charlotte não ser a "marionete" que ele esperava ter na liderança do Instituto (apenas pelo fato de SER MULHER), faz de tudo para impedir que ela seja sua sucessora como Consul e desvalorizar qualquer coisa que ela descubra na investigação sobre Mortmain. Apesar disso, Charlotte continua firme e determinada na sua busca, com a ajuda do marido inventor (e muito divertido) Henry, que mais uma vez reafirmam seus lugares como dois dos meus personagens preferidos em toda saga.

As cenas de ação são emocionantes e complementam perfeitamente o drama, e dessa vez a autora não deixa nada de lado; violência e sangue são incluídos de forma maestral , não de qualquer jeito, e isso me fez gostar ainda mais da escrita da autora.

O "vilão", Mortmain têm seu momento e consegue mostrar suas motivações, e nos faz entender mais de uma questão muito abordada em Instrumentos Mortais, que é a rivalidade entre Caçadores das Sombras x Seres do Submundo, apesar de como vilão eu ter preferido bem mais Valentim (de Instrumentos Mortais), que pareceu sempre mais complexo e convicto das suas ideias, doentias, mas em que tinha fé.

E por último, mas não menos importante (claro) o "trio", Tessa, Jem e Will.Uma relação que a autora introduziu lentamente ao inicio, mas no último livro da saga ganha força total com os acontecimentos dinâmicos e a necessidade clara de decisões. Personagens marcantes, cada um com seu drama pessoal, mas envolvidos pelo triângulo amoroso, mas um pouco fora do convencional; Tessa ama Jem, Tessa ama Will, mas Will e Jem também se amam. Não romanticamente (para a tristeza de muitos shippers), mas além disso, como parabatais (laço de batalha dos Caçadores das Sombras muito bem explicado ao longo da saga e de grande importância), irmãos, e almas ligadas uma á outra.Os dois desistiriam de Tessa pela felicidade do outro e os dois amam Tessa imensamente.

Por fim Cassandra conseguiu o que poucos autores conseguem; deu um final digno para cada um deles. Explorou os medos, e mergulhou fundo nos sentimentos dos personagens que ganham nossa empatia ao longo da história e dos quais vou sentir muita falta.

Felizmente,e muito felizmente mesmo, alguns deles sobreviveram até o presente (nesse caso século XXI mesmo) , e os que não, deixaram descendentes dos quais eu já amava em Instrumentos Mortais e foi uma grande alegria ver a arvore genealógica logo no inicio do livro (apesar de eu recomendar vê-la só depois de ter lido todo) e confirmar minhas teorias sobre os laços de sangue que eu já imaginava entre as famílias Shadowhunters.

O book-trailler, que vi antes do lançamento do livro, dá bem a ideia das expectativas:

Recomendo muito toda saga, foi muito boa e respondeu ás minhas expectativas.De 1 a 5, na escala da ficção, para mim foi um 5 completo, sem dúvidas!

Info: Páginas: 336. Editora: Record. ISBN: 9788501092700



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