Depois de um tempinho sem postar resenhas, voltei com uma fresquinha e ainda melhor: uma resenha de um autor parceiro do blog! Então, vejamos minha opinião sobre a obra do autor Fábio Mita!
Uma menino esforçado, amável e dono de uma mente brilhante. Este era Rangel Kunt, até o dia que
uma visita do padre Moisés Ribeiro, homem de confiança da família, mudou-o para sempre.


6 anos se passaram desde então. O detetive Diego Padavona recebeu a tarefa de investigar assassinatos em série  acontecendo em todo país, todos estes de padres que já foram acusados de abuso e pedofilia. O principal suspeito é o desaparecido jovem Rangel Kunt, vítima de um dos padres assassinatos. Para solucionar o crime, Diego deve conseguir o apoio do excêntrico tio de Rangel, único parente vivo do menino e sua assistente iniciante, Lucy Lacerda, enquanto que em casa, deve lidar com os fantasmas que um transtorno psíquico trouxe á sua relação amorosa, para sua esposa, Júlia.

"O Eco do Machado" é mais uma promessa de que sim, a literatura nacional atual pode ser tão boa quanto a estrangeira, em diversos gêneros. 
Abordando um tema tão polêmico que é tanto a pedofilia quanto a conduta descondizente de membros religiosos com sua própria doutrina. Nesse livro, não só vemos essa dura e cruel realidade, mas sentimos, na pele de uma das vítimas.

O início foi instigante, intenso ao livro, me atendo ansiosa pelo desenrolar do caso, porém, do meio até quase o fim perdi um pouco do ânimo, mas não num sentido realmente relacionado á qualidade da obra. Dentro do gênero policial, é verdade, há alguns tabus: espera-se aquele tipo de ação cheio correrias, ansiedade, mistério e incerteza, por isso, devo admitir, que esperava o livro seguir exatamente esta linha. Erro meu, na verdade. Quem disse que um livro de investigação policial tem de ser seguir essa linha de pensamento? Ação é um meio mais rápido de obter a atenção do leitor ou espectador, principalmente no mundo de hoje em que "tudo tem que ser rápido e instantâneo", mas não é obrigatório. Nesse caso o autor preferiu inserir na sua obra uma perspectiva mais psicológica sobre os personagens. Não significa que não ação, há sim, mas menos constantemente que estamos acostumados.
Depois que o machado acerta a madeira na floresta, o som que se produz é tão atroz quanto à machadada, e quem produz o eco também pode ouvi-lo, mesmo que sempre queiram demonstrar indiferença. De uma forma terrível, as manchas ficam lá. Página:  128 
Falando desse ponto de vista, durante toda a obra observamos um bom retrato mental que cada personagem, seja por vezes de modo subjetivo ou objetivo. Dos polos principais nessa particularidade, encontra-se a visão do assassino e a visão do delegado. Apesar de ser bem óbvio o assassino desde o início, prefiro respeitar, você, futuro leitor, e dar o benefício da dúvida momentânea e não citar nomes. Sobre ele, só posso dizer que todas as passagens pela sua visão foram as mais interessantes de toda a obra, e talvez o motivo de eu querer persistir. Retratado crua e intensamente; tem suas justificativas, embora divergentes á opinião "comum", pelo menos mostra que, apesar dos meios tortuosos, o objetivo é nobre: acalmar a dor incessante de um trauma, calar o eco.

Do outro ponto de vista, temos o delegado e seus companheiros. O Diego Padavona externo, um homem da lei, um homem que as aplica e persistente em seu trabalho. Já o interno, o que lida com seus problemas pessoais, sendo o maior deles a doença mental de sua esposa Júlia. São grandes as partes dedicadas a revelar o sofrimento dele diante a esquizofrenia da esposa, o medo de perde-la, o medo de perder a si mesmo para a loucura, o ressentimento e a culpa. É um tema muito importante a ser tratado e foi muito organizado todas as explicações sobre durante todo o livro, dando a mim como leitora uma própria visão mais ampla sobre o assunto, porém também senti como um ponto negativo. Não a doença inserida na obra, é claro, mas as longas divagações do delegado. Seguia-se por ora uma linha de pensamento complexa, profunda e ora perdia-se o foco, até mesmo sobre o sentimento do personagem. Tornou-se cansativo, como uma conversa repetitiva.

Também senti falta da investigação em si. Ação não é um requisito, como eu falei nos trechos anteriores, mas o desvendar do caso parece-me um. Entre visitas ao dr.Kerson Kunt, pistas e ocasionalmente um deslocamento para o ponto de visão da assistente Lacerda, lembro-me muito pouco sobre a investigação. Não senti o mistério, não senti o suspense, da ansiedade da busca. Senti falta de desafios, deduções, raciocínios lógicos. Necessitava de mais envolvimento do próprio leitor com a resolução do crime. Foi tudo um pouco nublado.

O fim, apesar de rápido, foi satisfatório, concluindo grandiosamente o destino do assassino (mais uma vez não comentarei em nome do benefício da dúvida) e deixando uma brecha para uma futura continuação.

Infos: Editora: Dracaena | I.S.B.N.: 9788582180334| Número de páginas: 216

Links do autor: Fan Page | Link de compra Saraiva | Site



Um Comentário

  1. Oi, Manu! Adorei a resenha. Também tenho parceria com este autor e "O Eco do Machado" está na fila para ser lido! =)

    Beijos,
    www.falandoemlivros.com

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